Começa a ser hábito realizar comícios no Porto sob condições meteorológicas adversas. Uma vez mais, na tarde do passado sábado, no cinema Venepor, na Maia, apesar da chuva torrencial, a sala encheu-se acima da capacidade para ouvir as intervenções de Luís Pinto, da DORP e do Comité Central, da deputada Ana Virgínia e do Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
Luís Pinto foi o primeiro a usar da palavra. Na sua intervenção, muito centrada nos locais de trabalho, não faltou uma referência aos trabalhadores da Petrogal, muitos deles presentes naquela sala, que tinham acabado de sair de uma greve de 32 horas ainda sem ter tido oportunidade de descansar. «Temos sabido resistir e lutar«, afirmou o dirigente comunista, acrescentando que «vamos continuar a travar uma luta contra a destruição da contratação colectiva e pela defesa efectiva dos direitos».
Luís Pinto dirigiu, ainda, uma «saudação calorosa aos trabalhadores da Petrogal e aos seus representantes sindicais que, com grande determinação, lutam pela defesa dos seus direitos consagrados no Acordo de Empresa». «A luta dos trabalhadores», prosseguiu o membro do CC, «pode não ter resultados imediatos, é longa e dura, mas eles vão conseguir! Conhecemos bem a nossa longa história e ela diz-nos claramente que tudo o que os trabalhadores conquistaram e conquistam é graças à força da unidade colectiva e no combate directo com o explorador».
A Petrogal acabou por ser apenas um dos vários exemplos mencionados por Luís Pinto de empresas cujos trabalhadores se encontram em luta: outros foram a Naveprinter, a Efacec, a Sakthi, a Soares da Costa e a Unicer. A estas o também dirigente sindical acrescentou o nome de muitas outras que se encontram com processos reivindicativos em curso. Em jeito de conclusão, Luís Pinto referiu ainda que «vale a pena trilhar o caminho da luta reivindicativa! Agora que temos uma nova correlação de forças na Assembleia da República, é tempo para reforçarmos o nosso trabalho nas empresas, reclamando a concretização do que é justo e necessário, ou seja, a devolução do que foi roubado, a reposição de direitos, a valorização dos salários e a elevação das condições de vida dos trabalhadores e do povo».
Consolidar avanços
Na intervenção que se seguiu, Ana Virgínia (membro da DORP e da Comissão Concelhia da Maia, vereadora na Câmara Municipal da Maia e deputada na Assembleia da República) referiu-se ao novo quadro parlamentar saído das últimas eleições legislativas, começando por realçar que esta situação abriu um «espaço de esperança, uma janela para a criação de melhores condições de vida para os trabalhadores e para o povo» e colocou o PCP num caminho «muito exigente», que já deu alguns resultados.
Mas esses avanços, para os quais o Partido contribuiu de forma decisiva, são, no entanto, «ainda muito insuficientes, muito limitados», sublinhou a deputada comunista, acrescentando: eles necessitam de ser «consolidados pela luta dos trabalhadores e do povo, criando pressão nos decisores e reafirmando a necessidade de uma efectiva ruptura que responda às reais necessidades de elevação das condições de vida das populações».
Na actual fase da vida política nacional é, portanto, «imprescindível a intervenção de todos, através das lutas nas empresas e na rua, na participação e na mobilização de todos os militantes e amigos para as iniciativas do Partido, pois esta é a forma de garantir a continuidade do rumo encetado nas últimas eleições legislativas, em que os trabalhadores, as populações e a juventude derrotaram o PSD/CDS e permitiram quebrar o ciclo anterior de estagnação e retrocesso e de destruição de direitos e das funções sociais do Estado», concluiu.
Inquebrantável determinação
A fechar as intervenções, Jerónimo de Sousa garantiu que o Partido vai prosseguir com a sua iniciativa aos vários níveis, quer na Assembleia da República quer nas empresas, nos campos e na rua. Destaque merecem, desde logo a campanha contra a precariedade e a acção junto dos reformados e pensionistas.
O Secretário-geral do Partido sublinhou também a necessidade de continuar a concretizar as acções de reforço do Partido, assinalar os aniversários do Avante! e do Partido, «dar força e concluir» a Campanha Nacional de Fundos e arrancar com a preparação da Festa do Avante!. Em breve inicia-se o trabalho preparatório do XX Congresso do Partido.
São múltiplas e exigentes tarefas que estão colocadas ao Partido que, nos 95 anos que comemora no próximo mês de Março, enfrentou «a mais brutal das intempéries e sempre com uma inquebrantável determinação». É sempre olhando em frente que «continuamos hoje o nosso combate», reafirmou Jerónimo de Sousa, após lembrar que «as derrotas não nos desanimam e as vitórias não nos descansam».